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Café: Safra 2017/18 decepciona em qualidade, tem alta incidência de broca, e quebra de até 35%

A safra 2017/18 de café do Brasil é de bienalidade negativa na maioria das regiões produtoras, portanto tende a ser mais baixa que a da temporada anterior. No entanto, a produção até o momento tem decepcionado mais ainda o setor. A quebra na safra pode ser maior do que se estimava inicialmente e a qualidade dos grãos tem impressionado negativamente, com relatos de broca em importantes regiões do cinturão produtivo.

À medida que colheita do café avança no Brasil, é possível ter um panorama mais claro da produção. De acordo com a Safras & Mercado, os trabalhos estavam em 73% até o dia 25 de julho. Levando em conta a estimativa da consultoria de 51,1 milhões de sacas de 60 kg de arábica e conilon, é apontado que já foram colhidas 37,06 milhões de sacas. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) aponta a produção nesta temporada em 45,56 milhões de sacas.

Para o presidente do CCCMG (Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais), Archimedes Coli Neto ( Archimedes é Gerente da Neumann Kaffee Group , Varginha - MG ) , a produção de café no país neste ano deve ser um pouco acima da estimativa da Conab. Ainda assim, bem pior do que se esperava. "A safra deixou a desejar, com bastante café miúdo, rendimento ruim e uma quebra de 10% a 20%, além da incidência elevada de broca", afirma.

Além da bienalidade, a produção mais baixa neste ano deve-se s condições climáticas desfavoráveis para o desenvolvimento dos grãos no fim de 2016 e início de 2017.

Em entrevista ao site Notícias Agrícolas na semana passada, o produtor rural de Cabo Verde (MG), Ivan Carlos de Santana, disse que a quebra na atual temporada na região pode superar os 35%, com a colheita próxima de 75%. "Temos em muitas regiões cafés miúdos e com bebida fraca. A estiagem afetou a produção justamente no momento de enchimento de grãos dos frutos. E é preciso destacar que nós já íamos colher menos, pois estamos no ano de bienalidade baixa", disse.

A Cooxupé, maior cooperativa de café do Brasil, acredita que os grãos menores vistos em áreas de altitude mais baixa serão compensados pelos cafés colhidos nas regiões mais altas neste ano. As informações são da agência de notícias Bloomberg. A Cooxupé espera que seus cooperados produzam neste ano 6,8 milhões de sacas e deve receber 4,28 milhões de seus associados ao longo do ano.

A alta incidência de broca nas lavouras do país tem assustado bastante os envolvidos de mercado, com possíveis reflexos na comercialização dos grãos. A Bolsa de Nova York (ICE Futures US) chegou a repercutir esse cenário na semana passada. "A quantidade de café de menor qualidade será maior neste ano na comparação com os anos passados", disse agência de notícias Reuters um grande importador dos Estados Unidos.

De acordo com o analista de mercado do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes, exportadores do grão estão bastante assustados com a situação. "Temos relatos de incidência de broca em quase todas as regiões. Exportadores têm relatado porcentagem de até 30% de grãos brocados, quando o índice de 5% a 10% já seria considerado alto para o Brasil", diz. Para Carvalhaes, os preços do café não têm estimulado os produtores nos cuidados com as lavouras.

Safra 2018/19

A Reuters reportou na semana passada, com base no levantamento de envolvidos do mercado, que a produção do Brasil em 2018/19 pode subir para quase 60 milhões de sacas, incluindo 43 milhões de arábica. Para Coli Neto, do CCCMG, o potencial de produção do país pode chegar a isso, mas tudo vai depender do clima. "Levando em conta todos os dados divulgados, eu não acredito que o Brasil tenha menos de 60 milhões de sacas no ano que vem, a não ser que o clima prejudique a produção", disse.